27/01
Por: Sarah Oliveira
Na: Sexta-feira
Adolescentes não são aborrecentes…
Eu tenho problemas com quem chama adolescente de aborrecente. Aliás, eu tenho problemas com quem generaliza e rotula tudo.
Cada adolescente tem sua própria maneira de manifestar suas loucurinhas, paixões, ideias, medos, etc… esta fase é tão linda. É de descoberta, de pontapé para a formação de gostos sexuais, musicais… é quando a angústia aparece e, com ela, os desejos.
Adolescente é figura, pois atira para todos os lados. Eu tenho uma sobrinha pré-adolescente, por exemplo, que canta o pop da Britney e o maracatu do Lenine com a mesma intensidade. Assim como existem alguns “teens” que odeiam (não, não sentem raiva. Aqui é quando eles aprendem o que é odiar algo e odeiam, mesmo) música sertaneja universitária com a mesma força que amam heavy metal (mesmo que em dois anos, um deles vire um playboy e comece a ouvir “poperô”).
Não importa, a adolescência te permite moldar o seu caráter a partir da variedade de informação que você vai tendo em casa, no colégio e na rua.
As paixões vêm à tona e as tristezas também. A dor de amor adolescente é, TALVEZ, a mais sofrida da vida e, muitas vezes, é até platônica. Como diria Gal em seu novo disco (com canções de Caetano): “tudo dói” – quando não se é compreendido.
Escrevo este post depois de ter visto “Inquietos”, novo filme do cineasta americano Gus Van Sant. A história é a seguinte: Enoch (vivido pelo ótimo estreante Henry Hopper, que tem semelhanças nítidas com o pai, o ator Dennis Hopper, de “Easy Rider”) é um garoto excêntrico que, para assimilar seu trauma (ele perde os pais num acidente de carro em que apenas ele sobrevive), visita constantemente funerais de pessoas desconhecidas e se relaciona com um amigo imaginário (um kamikaze da Segunda Guerra Mundial). Numa de suas visitas, ele conhece Annabel Cotton (Mia Wasikowska – protagonista do novo remake de “Jane Eyre”, ainda inédito no Brasil, mas no qual ela arrasa assim como em “Inquietos”), uma garota sensível que possui apenas mais três meses de vida. Porém, “Inquietos” consegue ter um final que surpreende, mesmo você já sabendo o que vai acontecer. O olhar de Gus Van Sant, na câmera e na edição, é doce. Amor adolescente levado a sério. Mais uma vez, o cineasta e roteirista se mostram respeitosos ao sentimento e à realidade de quem está tentando entender qual é a da vida.
Real, belo e triste, justamente por isso.
Ah! E, além de tudo (roteiro, montagem, direção de atores, etc…), tem uma trilha linda que começa com “Two of Us”, dos Beatles, e fecha em grande estilo com “The Fairest of the Seasons”, da Nico. ♥
P.S.: Enquanto eu preparava esse meu texto sobre o respeito do Van Sant à dor e à emoção do adolescente no filme “Inquietos”, me deu vontade de fazer um apelo aos pais, irmãos e tios: não ignorem ou maltratem os seus “jovenzinhos”. Eles se tornarão cidadãos mais úteis à sociedade de acordo com o afeto que têm nesta fase bela da vida. Um brinde aos adolescentes!






























































